A história está sendo escrita por nós, no presente!

Estou vivendo um momento histórico.
Uma democracia burguesa — que ainda não é nossa,
Que ainda não pertence à classe trabalhadora.
Uma história que os livros de conhecimento embranquecido
Não vão contar como realmente foi.
Mas eu estou aqui.
Estou aqui para dizer, com a voz do meu povo, como foi a nossa verdadeira luta.
A descolonização do processo histórico do nosso país!
A extrema-direita se alimenta do ódio e do extermínio,
E o neoliberalismo é um câncer totalitário.
Mas para quem sobrevive todos os dias,
Posicionar-se não é uma escolha.
É limite. É soberania. É autenticidade.
Correr riscos já faz parte da minha certidão de nascimento
Por ser uma mulher afro-brasileira, escritora, periférica, espiritualista, macumbeira, bruxa, usuária do SUS!
Aos 44 anos, guiada pelo letramento racial,
Entendi que o meu corpo é um ato político,
Que a minha postura é de centro-esquerda, conservadora das nossas raízes, moderna e progressista.
Eu não compactuo.
A minha empatia não se curva ao bolsonarismo,
A quem nos nega a alma, a quem nos quer sem destaque.
Se um dia estive onde não devia, me desculpo pela falta de autenticidade.
Pois para eles eu não existia — mas hoje, a minha voz ecoa!
Vencemos!
Fizemos história!
A luta foi digna, foi limpa.
Sim... eu tive medo.
Sentir a vulnerabilidade coletiva dói no peito,
Mas a fome de justiça e a coragem por dias melhores me fizeram continuar.
Lutei por mim.
Lutei por você.
Lutei pelos meus ancestrais e para manter viva a nossa memória.
A estrela brilhou no céu!
E eu chorei...
Chorei de alívio, de emoção, de glória!
Chorei por fazer parte desse movimento que defende o nosso futuro.
Não iremos tolerar o extremismo!
Não aceitaremos as injustiças!
Voltaremos a votar, voltaremos a ter voz.
Foi lindo ver o povo unido pelo bem da coletividade.
Mas a luta não acabou.
Nós não vamos parar por aqui.
Porque o sistema só se combate com a revolução -
E é para a rua que nós iremos!
Sigamos firmes.
Com coragem, com garra, e com a certeza de que a história
Está sendo escrita por nós, no presente.
E que honra...
Que honra gigante poder fazer parte dessa escrita.
Meu manifesto - Uiara Ashanti

Eleições 2026.
O Peso da História e o Dever da Memória
Estamos vivendo um momento histórico dentro de uma democracia burguesa que ainda não pertence, em sua totalidade, à classe trabalhadora.
É uma travessia marcada por um misto denso de sentimentos: uma fome visceral de justiça ao mesmo tempo em que vivenciamos uma vulnerabilidade coletiva constante. No entanto, o compromisso com a memória não nos permite o silêncio.
Os livros de história construídos sob a ótica do conhecimento embranquecido e hegemônico não vão contar o que realmente está acontecendo. Por isso, tomar a palavra é um ato de descolonização do processo histórico do nosso país. A extrema-direita se estrutura no ódio e no extermínio, enquanto o neoliberalismo atua de forma totalitária — como um verdadeiro câncer social. Diante desse cenário, dizer a verdade sobre como nossa luta é travada torna-se um dever ético e político.
A Força das Urnas e a Linha de Frente contra o Extremismo
A democracia e o direito fundamental à liberdade venceram no segundo turno com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos). Foi um movimento emocionante ver o povo unido por uma dor compartilhada e por uma promessa ancestral: não haverá mais chicotes nem correntes.
A virada não veio por acaso; veio por meio de articulação e coragem. Um verdadeiro exército de mobilização foi liderado pelo deputado André Janones nas redes e nas ruas para que pudéssemos virar votos, combater a desinformação e lutar pelos nossos direitos. Nessa mesma trincheira, ganhou destaque a jovem Ana Elisa, candidata a deputada por Minas Gerais, que foi grandona e gigante durante todo o processo — uma verdadeira promessa e liderança para o presente e para as próximas campanhas.
O que construímos aqui ultrapassou as nossas fronteiras: essa movimentação popular tornou-se referência internacional para outros países que também enfrentam o avanço da extrema-direita. Não podemos retroceder. Quem veio antes de nós lutou e sangrou para que pudéssemos estar aqui hoje. Cabe a nós permanecer sempre ao lado do justo, do coerente e do discernimento, garantindo que a história seja contada todos os dias exatamente como ela está sendo escrita.
Posicionamento, Fé e Ancestralidade: O Corpo como Ato Político
Para quem sobrevive todos os dias nas margens do sistema, posicionar-se não é um luxo ou uma escolha estética; é uma questão de limite, dignidade e autenticidade. Correr riscos já faz parte da certidão de nascimento de qualquer mulher afro-brasileira, escritora, periférica, espiritualista, macumbeira, bruxa e usuária do SUS.
Do Apartidarismo ao Letramento Racial
Durante muito tempo, cheguei a me identificar como apartidária. Contudo, ao longo do caminho, percebi que meus textos e minha escrita eram atos profundamente políticos — e política não se confunde com mero partidarismo. Através do letramento racial, aos 44 anos, compreendi minha posição no mundo: uma postura de centro-esquerda, conservadora das nossas raízes e da nossa memória, mas moderna, progressista e voltada para a emancipação do trabalhador.
A minha empatia não compactua com eventos, publicações, autores ou estruturas que deem sustentação ao bolsonarismo ou ao extremismo. Para esses grupos, nossos corpos não existem, nossa espiritualidade é demonizada e nossa alma é negada. Se em algum momento da trajetória cheguei a me alinhar com algo dentro desse contexto, peço desculpas pela falta de autenticidade momentânea. Hoje, o não alinhamento é a minha única resposta possível.
Da Chuva em Macaé à Revolução nas Ruas
A vitória nas urnas e a defesa da democracia trouxeram um alívio necessário. A luta foi digna, foi limpa. Houve medo — o medo é real quando tudo está em jogo —, mas a coragem por dias melhores e a força dos ancestrais nos mantiveram de pé. A estrela brilhou no céu, e o choro que veio a seguir foi um choro de glória, alívio e pertencimento.
Em Macaé, a chuva forte que cai lava a terra e leva embora a energia negativa acumulada ao longo de meses de sufocamento. As águas limpam o caminho para o que está por vir.
Mas a vitória eleitoral não é o ponto de chegada; é apenas um capítulo. O sistema totalitário não se desmonta apenas no voto, mas na organização e na presença popular. A luta continua, não aceitaremos injustiças e é para a rua que iremos defender o nosso futuro. A história está sendo escrita por nós, no presente — e é uma honra gigante fazer parte desta escrita.




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