Estante Negra
Curadoria, Leitura e Discernimento
A busca por descolonizar o conhecimento não nasce da rejeição, mas do exercício do discernimento. Trata-se de sair do consumo passivo das narrativas hegemônicas e assumir uma postura mais criteriosa e seletiva diante das informações e epistemologias que deixamos entrar na nossa mente.
A ausência de espaços dedicados e a diluição das produções negras em prateleiras genéricas tornam urgente a criação de territórios de ancoragem. A proposta desta Estante Negra não é isolar, mas dar o devido foco e centralidade a vozes e perspectivas que trazem outras cosmovisões, resgatando histórias não contadas e abordagens que ampliam nosso repertório.
Este é um mapa de acervo em constante movimento, composto por obras de ficção e não ficção.
Um convite para desacelerar, exercitar a leitura crítica e reconhecer na produção intelectual negra uma fonte inagotável de filosofia, arte e preservação da memória.
Ficção

Até onde você iria quando o jogo que prometeram ser prazeroso se revela uma armadilha? Três homens e três universos diferentes que Samanta Rodrigues se encontra disposta a explorar. Um lhe apresenta o prazer, outro o carinho, e o terceiro, a devoção. Qual desses seria a escolha exata?

O Chão dos Outros acompanha a jornada de Marina ao Ceará para se despedir do avô moribundo, Raimundo Nonato—um homem complexo que foi pai, jagunço e assassino. A trama familiar é reconstruída a partir das perspectivas de três mulheres: Jurema, Iracema e Marina.

Acompanhado por questionamentos sobre liberdade e alienação, Ameise explora um mundo desconhecido cheio de seres fascinantes enquanto busca o caminho de volta para casa. Nessa jornada, o confronto com o preconceito e com novas realidades transforma sua busca pelo lar em um processo profundo de autoconhecimento.

Às vésperas de se mudar para um planeta paradisíaco, Zâmbia, uma ministra respeitada em Novas Terras, tem seus planos interrompidos quando é acionada pelo misterioso caso de Aziza que parou de falar e morre a cada dia por uma doença desconhecida. Enquanto corre contra o tempo, descobre uma tentativa de golpe de estado, levando-a buscar no passado ensinamentos para enfrentar problemas do presente e do futuro.

Nunca mais me esquecerei do dia em que ouvi da boca e da alma de Luciene Nascimento o poema “Tudo nela é de se amar”, que dá título a este livro de estreia. Dita em voz límpida e serena, a poesia produziu em mim a sensação de estar em contato não apenas com a voz dessa moça, mas com as vozes de muitas outras mulheres ancestrais.

O diário da catadora de papel Carolina Maria de Jesus deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.
Não Ficção

Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista Carta Capital , entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação.

Em E eu, não sou intelectual?, a escritora e ativista Bárbara Carine constrói um manual de sobrevivência acadêmica que questiona os padrões brancocêntricos de erudição. A partir de sua trajetória e de casos públicos, a autora analisa como as pressões raciais, sociais e de gênero moldam os espaços de saber, propondo a descolonização do pensamento para construir uma intelectualidade livre, inclusiva e verdadeiramente emancipadora.

No mais pessoal e delicado de seus livros, a filósofa Djamila Ribeiro revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. O relato se dá na forma de cartas a sua saudosa avó Antônia ― carinhosa e amorosa, conhecedora de ervas curativas e benzedeira muito requisitada.

A obra combate o mito ocidental do "milagre grego" ao resgatar a primazia científica africana e afrodiaspórica, denunciando o apagamento histórico através dos conceitos de pilhagem e genocídio epistêmicos. Ao destacar 50 contribuições científicas pretas e fundamentar-se na filosofia Ubuntu, o livro propõe novas formas de produzir conhecimento e existencialidade.

Neste livro, Luana Génot divide com leitoras e leitores suas vivências e opiniões sobre os mais variados temas — autoestima, beleza, ancestralidade, maternidade, empreendedorismo. Tendo como fio condutor a palavra "forte", usada por muito tempo para definir o que mulheres negras deveriam ser, Luana luta para que não precisem desempenhar o papel que esperam delas para conquistar espaço na sociedade.

O livro da história explora as civilizações, revoluções e tecnologias que tornariam nosso mundo irreconhecível aos olhos dos nossos ancestrais. Ele traz explicações claras e concisas das ideias por trás dos eventos que moldaram nosso mundo, diagramas que ilustram passo a passo alguns conceitos complexos e ilustrações que elucidam nossas ideias sobre o passado.
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